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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Das saudades...

Querida M.,

o T. partiu para o acampamento nacional de escuteiros na sexta de manhã e só volta na próxima sexta. E o pior é que eles só podem utilizar os telemóveis durante uns minutos por dia por isso eu só tenho direito a umas duas mensagens por dia. Acho que vou morrer de saudades até lá... E ainda por cima ele só vai ficar um dia em Lisboa e parte logo a seguir para a terra dos pais, durante duas semanas. Nunca estivemos tanto tempo separados, vai-me custar imenso. Felizmente nessa altura ele já não vai estar proibido de usar o telemóvel. Mas mesmo assim, nem sei como vou aguentar tanto tempo sem ele. A situação com o meu pai está a ficar muito mais difícil, a doença dele está a pior, ele depende cada vez mais de mim e mesmo assim continua a tratar-me com 7 pedras na mão, como se eu não fosse a razão pela qual ele se tem mantido vivo no último ano. Como se não fosse eu quem têm mantido esta casa a funcionar o mais normalmente possível, como se não fosse eu quem trata do J., lhe faz a comida, o ajuda com a escola e trata de tudo quanto ele precisa tal como se ele fosse meu filho e não meu irmão. Mas o pai não é capaz de me dar valor, só se interessa consigo e com os seus problemas e está-se a lixar pró resto, até parece que não está gravemente doente. E eu que me desenvencilhe, que resolva as suas porcarias e que trate dele apesar de tudo o que ele faz. É insuportável! Eu tenho tantas responsabilidades sobre os meus ombros que, se não fosse o T., de certeza que já me tinha ido abaixo. É tão bom ter alguém que nos ajude, que nos ouça, que nos abrace quando estamos tristes e sentimos que o mundo se vai desabar sobre os nossos pés. Alguém que nos faça rir e esquecer por um bocadinho os problemas da vida, que nos deixe ir dormir para sua casa depois de termos passado a noite em claro, alguém que nos diga "amo-te" e nos diga que vai ficar tudo bem com tanta certeza que não temos outra opção senão acreditar nisso. Nem que seja só por um bocadinho. Alguém que amamos com tanta força que tudo o resto acaba por não importar, desde que nos tenhamos um ao outro. Vou sentir tanto a sua falta! Espero que este mês passe bem depressa...


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